Memória

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da memória, esquecimentos, que se confundem com realidades que já foram, tão já velha que é, rota de descosidos conhecimentos tidos, passados, restam palavras e o seu sentido naufragado em ausências, só silêncios.
evitando-as porque as palavras sempre ressoam a escaravelhos de tempos idos. memórias lhes chamamos.
descrevem-nos significados já tão disformes de que perdemos a razão dos nomes, longínquos caminhos, quando aos filhos lhe chamávamos esperanças, agora, nadas, neste buraco escuro que às vezes se enche de portas.
existências desfeita num pó que resta no soalho da alma. um mistério. amanhã, abandonos e perdas com que enchemos um caixão de saudades.
ainda resoluto como se a memória renascida que já sabe das chaves e não fica num corredor onde um papagaio pia incolores chamamentos é, outra vez, a memória submersa em palavras,
aquelas que coragens inventam, mesmo que ruínas já sejam, no sonho dos outros, aquelas que dizem de nós coisa alguma, enigmas, aquelas que dizem já não é este o tempo, aquelas que podem trai-la, a memória, porque, o esquecimento arruina-nos o tempo que se foi, indo,
e assim nos fizemos velhos, à procura do juízo.