O CAIXOTE

 

que é da natureza das coisas a aristocracia não ter que denunciar teres e haveres a maltrapilhos empedernidos por invejas, era o que mais faltava, já agora, ficarem a saber tudo o que se têm; eh pá os gajos estão cheios de guito, aquilo é só mansões, gajas boas e carros de vidros fumados que só lhes falta levantar voo e agora silêncios, porque não dizem que é uma chatice do caraças ir tomar conta do caixote onde uns se dedicaram à pesca a saíram de lá com uma canastra de robalos e outros, dedicaram-se á espeleologia e esburacaram aquilo tudo com fossas maiores que crateras para sacar mordomias acionista em poisios especulativos e, agora, o gajo quer que lhe calhem pela porta nem que sejam fanecas fritas e vai dai, exigências, depois de tudo pendurado no prego, quer certezas, milenas creditadas na conta para dar um jeito no caixote mastodôntico que mais parece o palácio das mil e uma noite ou como dizem outros, mais sabedores das coisas dos defuntos; um mausoléu que dava para não sei quantos panteões para aferrolhar tudo o que fosse herói nacional desde o “chico calcinhas” que morreu cansado de ser guarda noturno, borboleteando uma cirrose que nunca teve dinheiro para beber vinho do bom, só carrascão martelado à “dona adosinda dos caracóis” que morreu de cancro nas mamas depois das mamas serem consideradas um monumento de insubmissos desejos lá no bairro; isto é o paleio do carlinhos dos joanetes a falar para o maralhal no meio de cervejolas bem fresquinhas num vai e vem de copo vai copo vem, no bar do grupo recreativo cultural e desportivo dos ferroviários da poço do bispo, num palavreado em que abana a alma com a repugnância de estimação que têm por banqueiros abjurados em enigmas de confianças, jogadores de poker encartados, jagunços de perna arcada prontos a cavalgar qualquer sela, marmanjões vindos da gravilha e do cimento que construíram com os “santos” favores da banca, gaiolas em desterrados arrabaldes para lá viverem desperdícios de almas suburbanas, faquires de todas as adivinhações, passarinhos chilreantes com gráficos de todas as certezas a subir na vida, magarefes que desbastam o nada que ainda temos para termos ainda menos, heróis de penacho na lapela gratificados por instituírem o reino “da desigualdade” como se essa fosse a religião do triunfo dos “homens providenciais”, como o outro que tinha a mania de ser dono disto tudo, abrenuncio de todas as suspeitas, alma sagrada investida das aristocracia familiares e das outras que lhe vieram do tempo do “Estorvo”; e foi o que se viu, a cobiça desenfreada, mandou meio país para o caraças e agora escreve memórias, cândido de injustiças, sem sabermos quando vai parar a grelha; já chega carlinhos, disse-lhe o parkinson do tenório cabeças, assolapado em abanões de quero lá saber se o senhor novo da aristocracia que vai mandar no caixote vai ganhar balúrdios, o que a mim me dá comichão é saber se o tipo consegue por aquilo a funcionar como deve ser sem ratonantes a abotoarem-se com o graveto que não é deles ou a emprestar aos amigos, amiguinhos, amigalhaços ou outros papagaios emplumados que dormem em cama de dossel e têm pessoal habilitado para lhe cortar as unhas dos pés; outra vez carlinhos dos joanetes agora a não deixar falar aprígio insonso que queria mandar uma boca sobre o pessoal que gosta muito de ir mandar nos bancos, mas depois armam-se em coitadinhos, que só dificuldades, que os caminhos estão cheios de imparidades e de complexos algoritmos que não dão para saber quem deve e quanto deve; intrujices que quem por lá andou soube o que deixou para os tenórios que somos todos nós, pagantes porque, os “providenciais” que se diziam possuidores do manto de todas as confianças faliram aquele merda com a ganância do seu poder escalavrado em querem ter rendas de bilros em ouro, e agora; e agora os tipos que mandam no reino vão continuar a dar andamento ao poder de mandar no dinheiro que não é deles, é meu, é teu, é dos tipos que confiam e mandam vir uma nova rodada de arlequins especialistas em manguitos para estoirar o que falta, numa roda-viva de compadrios; agora falo eu: diz lá aprígio que sabes das coisas da história como é que foi possível deixar fazer aquele caixote de mármore de carrara, torres, ameias, cúpulas e vigias, só mania de grandezas; isso foi na altura em que os da europa mandavam para cá pazadas de dinheiro para acabar com a agricultura com as pescas e com a industria e o filho do gajo da bomba só auto estradas e palácios para fazer cimeiras e sedes de bancos como se isso fosse o luxo do nosso progresso e o mausoléu que é sede do caixote a gastar tanta energia com uma vila das grandes, mesmo para os das ecologias uma afronta, mas os tipos calados, sem um pio, preocupados com o chilreio dos passarinhos, e agora a entregaram ao aristocrata que não quer que saibam que marca de cuecas veste, se tem um triciclo para passear aos domingos à beira mar, se tem um passe para ir, à surrelfa, a uma casa de acompanhantes de luxo para lhe limparem os óculos, só silêncios, dando ares de ser uma nova versão do “homem providencial” como o outro, a exigir que esgravatassem todos os buracos do caixote antes de se sentar no trono e ir de carreirinha aos da europa para sacar uma fartura de milhões para trabalhar à vontade e se a coisa der para o torto e o tipo demonstrar não ter unhas para aquilo, quem fica entalado somos nós, os pagadores de toda a casta de tropelias dos aristocratas brincalhões, convertidas num jugo de impostos; está bem, é mesmo assim, já sabemos carlinhos dos joanetes, mas como vês o pessoal que está agora no reviralho só fala na narda que o gajo vai ganhar e não quer saber de mais nada e o tipo, numa teima de aristocrata lá muito em cima, a mandar dizer que não têm que dizer nada a ninguém, que não prestar contas de qualquer tusto que tenha nos fundilhos das calças e todos num estardalhaço, num alvoroço de pelintrices e hipocrisias saloias como se isso fosse uma incomensurável afronta, descontando para as raias do desinteresse, por não valer a pena pensar no problema saber se o aristocrata finório é competente para pôr o caixote a funcionar, se gosta de vergar a mola, se tem habilidade para marear o mar de ruínas em que aquilo está, se consegue filar os que se aproveitaram da rebaldaria de terem andado por lá uns saltimbancos de carimbo na testa a jogarem à batalha naval; isso é que era valente, é que era do interesse dos servidores das majestades quem tem dinheiro, dos famélicos sem côdea para roer, dos que habitam a penúria de nada terem para além de saber o que é o futuro, dos que metem para a veia como trampas de uma sociedade onde, para uns terem dinheiro, muito, os outros têm que ter pouco, nada; é assim, sempre foi assim; o que é que queres carlinhos e que os que têm a felicidade de ganharem quinhentos até para mijarem têm os minutos contados, e os arlequins que nos fodem a opinião, só a falar que o senhor dom qualquer coisa que não gosta que saibam que marca de cuecas é que usa, que lhe dissessem o que devia fizer com o dinheiro que não é seu que o pessoal lhe confiou para dar um jeito no reino e para que, quem trabalha, consiga encontrar um pouco de aconchego; porra carlinhos, cansaste-te com tanta lábia que não serve para nada porque o pessoal anda todo numa de “selfis”, a trabalhar para o bronze da demagogia e não quer saber dos milhões que vivem penúrias como tu e a tua garina, só saber que um aristocrata que só silêncios é mais importante que tantos que gemem misérias por ai; e depois, carlinhos, não venhas queixar-te das dores nos joanetes.

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